31 de julho de 2007
É simplesmente inaceitável a alegação dos grupos televisivos que a Classificação Indicativa seria um retrocesso à censura de outrora. Com a omissão do governo, vitória das tevês que continuarão priorizando os interesses da barulhenta minoria (leia-se elite) em detrimento do compromisso com a cidadania da nação.
Num País escasso de leitores, infelizmente a tevê provê a maior fonte de informação e entretenimento para o povo – exageradas cinco horas diárias. Nesse aspecto, é cristalino observar que as emissororas deixam a qualidade da grade em segundo plano em priorizarem demasiadamente o entretenimento das massas – culpa também dos telespectadores por se deixarem levar pela programação circense.
Devido à famigerada tentativa das redes obter lucros através do marketing, problemas como a erotização e violência se fazem cada vez mais presentes. Com a aprovação do governo (em tramitação desde 1999) a Classificação Indicativa (CI), que há décadas está presente em muitos países desenvolvidos, tenderia a suavizar esses problemas.
Basicamente, a CI agiria na avaliação prévia dos futuros programas das emissoras – e não nos programas em atividade, como alegam essas oligarquias. Dessa forma, diversos problemas seriam previamente relatados e se estipularia um horário específico para suas exibições, fazendo valer as emissoras o ideal de “Liberdade com responsabilidade”. Como exemplo de aplicação benéfica dessa classificação teríamos a redução da sexualidade precoce da programação – usualmente presente nas grades ao perceberem queda dos níveis de audiência.
Pelo recuo do governo em não combater os interesses das tevês, adiando novamente a regulamentação da CI, esvairou-se mais uma tentativa de proporcionar mais qualidade no cotidiano da população. Certamente se as pessoas agussasem seu senso crítico, estas seriam menos alienadas e perceberiam os reais interesses das redes televisivas: ao entreter, anunciar para o bobo comprar. Comprometimento com as causas sociais que nada!
24 de julho de 2007
Finalmente quebrou-se o paradigma do sucesso musical em que a vendagem de discos sobrepunha-se ao talento artístico. Desde o surgimento do CD jamais se verificou tamanha queda das vendagens. Todavia, nunca se ouviu tanta música em todo o mundo. Enquanto os vendedores de plástico - também chamados de produtores musicais – perdem os cabelos, o mundo artístico cada vez mais independente celebra o Status Quo do talento: o reconhecimento e admiração sincera do público.
É do conhecimento até do mundo mineral que o mercado musical das últimas décadas era cooptada à libertinagem ao artista. Seus produtores além de determinarem a bagagem musical também decidiam de tudo: desde o figurino até o quão se permitiria revelar de sua vida pessoal. Outrossim, valia-se a máxima do capitalismo selvagem (quanto mais lucro melhor), mesmo que a reza valesse às custas de pouca originalidade, artístas sem talento e superfaturamento das vendas. Parte disso devia-se ao demasiado poder da mídia (que até hoje encobre os interesses dos grupos privados sobre o manto da imparcialidade).
Felizmente, essa concepção de sucesso tem se esvairado nos últimos anos com a popularização de outros meios de comunicação. A conclusão é cristalina: quanto menor for a concentração do poder – e nesse caso representada pelo marketing e veiculação de mídia – maior será a liberdade e qualidade artística. Assim, meios como o You Tube, Orkut, My Space e diversos Blogs vêm assumindo o compromisso informal de divulgação dos trabalhos musicais.
Paradoxalmente, por mais que se aumentem os downloads ilegais das obras, as quedas de vendagem não condizem com prejuízos ao artísta. Este, sendo detentor de mais liberdade, criatividade e publicidade – grátis - tem seu lucro multiplicado, dentre outras formas, pelo aumento expressivo de público em seus shows. Inclusive, muitos artitas pouco estão se importando pelas vendagens de discos, já que os lucros destinados a aqueles são irrisórios. Destaque para o cantor britânico Prince que recentemente tem distribuído gratuitamente o disco do seu último trabalho - tudo em nome da publicidade para os shows.
Diante de tal conjuntura, verifica-se uma quebra de conceitos no cenário musical que definitivamente é benigna para a população. Enquanto poucos detinham condições para ter acesso a esse mercado, atualmente é fácil e barato usufluir dos prazeres da maior arte que o Homem criou: a música. Oxalá liberdade e criatividade musical, nossos ouvidos agradecem.