5 de junho de 2007
O brilho do sol independe da cor e status social
Apesar do Brasil se considerar bem diferente socialmente perante aos nossos inauguradores portugueses, um dos maiores resquícios da colonização ainda perpetua na sociedade brasileira: o racismo. Afirmar que são equivocos o tanto o Prouni quanto a política de cotas que visam reduzir um pouco das discrepâncias sociais do país - ao menos para esta geração - é corroborar para premissa ignorante que esse pensamento acarreta: o preconceito de que com os negros e pobres não possuem condições próprias de auto-elevação social.
Decorridos cento e oitenta e cinco anos do déspota D. Pedro I ter selado a “independência” brasileira no início do século XIX, ainda não conseguimos consertar as mazelas deixadas pela colonização. Em todo o mundo, poucos são os países que possuem tantas riquezas quanto ao Brasil e ao mesmo tempo estas são concentradas a uma minoria elitista em detrimento de grande parte da população.
Além disso, a diferenciação social – principalmente de cor e pele - é uma realidade da situação econômica do País. Um claro retrato disso é o discreto número dos negros nas universidades e postos mais bem remunerados em paralelo ao grande percentual destes entre os presidiários, desempregados e indigentes. Logo, tornou-se evidente que sérias medidas devem ser tomadas para dinamizar essa situação.
Certamente, boas maneiras de reduzir essa separação social seriam melhores políticas de capacitação pessoal e distribuição de renda (principalmente se esta fosse instaurada no período da abolição). Entretanto, ao menos no que depender da evolução sociedade elitizada, esse lado literalmente negro da população não terá sua vida melhorada nem tão cedo.
Por isso, coube ao governo tomar providências emergenciais para dinamizar esse problema. A geração do PROUNI e do sistemas de cotas nas universidades públicas é a medida emergencial mais viável para promover uma maior participação da classe mais carente da população entre os universitários. Assim, estes terão mais condições de galgarem um espaço melhor no mercado profissional de qualidade, e pouco a pouco, irem equiparando a proporção de negros e brancos com nível superior para futuramente descentralizarem a oferta dos melhores empregos a uma única parcela da população.
Há quem diga que o sistema de cotas acarreta em mais aspectos negativos que positivos socialmente, pois promove a inclusão de pessoas incapacitadas intelectualmente através do ingresso fácil nas universidades. Entretanto, dados do Enade revelam exatamente o contrário: os estudantes beneficiados pelo sistema de cotas e PROUNI têm rendimento igual ou superior aos demais. Isso reflete que, uma vez integrado à educação, cor e situação social não são inerentes à capacidade de aprender e, por conseguinte, ao desenvolvimento profissional.
Diante de tal conjuntura, enquanto não houver uma conscientização de cada um sobre quão longe foi este “Apartheid à brasileira”, quaisquer políticas de inclusão social serão muito bem-vindas. Como diria o sociólogo espanhol Ortega & Gasset “Eu sou eu em minhas circunstâncias”, somente com plenas condições de desenvolvimento através da educação o indivíduo terá chances de integrar algum lugar ao sol (independentemente de sua cor e/ou condição financeira).
criado por oliverjunior85
20:51 — Arquivado em: 

Comentário por Tay — 7 de junho de 2007 @ 17:18
Adorei os textos Jr…
Mt bons…
Eles tinham que ser colocados em uma revista ou site sei lá, muito bons pra ficarem assim sem mt gente ler…TODO mundo tinha que ler isso dái!
Muito legal!
BJOkas
Comentário por Lucas Arruda — 8 de junho de 2007 @ 11:31
Muito bacana o texto Junior!!!
Parabéns pelo blog. Prometo passar mais vezes por aqui!
Abração!!!!
Comentário por Marcela — 8 de junho de 2007 @ 17:11
concordo em gênero, número e grau… e não só pq vc é meu namorado… hehehehehee…
muito ótimo o texto, amor…
ly4!
bjitaz ;*
Comentário por Andreza — 25 de junho de 2007 @ 19:59
Olá Júnior!
Preliminarmente, quero parabenizá-lo pela atitude e coragem de falar sobre um tema tão difÃcil entre nós - brasileiros miscigenados - e tão presente no nosso tempo: o preconceito!
Em segundo lugar, cabe ressaltar que não só há necessidade de medidas públicas para o combate ao preconceito, como também a melhor conscientização do “povo colorido” que somos, como prova de que não se pode falar em raça pura.
Por fim, a melhor maneira de começar a consicentização citada é a atitude de cada um de nós, como vc tem feito.
Grande abraço!