11 de maio de 2007
Uma transparência mascarada
Recentemente foi colocado em xeque o comportamento do Banco Central quanto a sua política de informação da economia para com a sociedade. Daí, então, surge uma afirmativa incontestável: o governo carece - e muito - de uma melhor transparência política e econômica.
Enquanto vemos a cada dia verdadeiras lições de respeito de diversas nações para com sua população no que tange a transparência das informações, fica evidente que por essas bandas algumas lições de boas maneiras não seriam exagero. Um claro exemplo a ser seguido é o paradigma do BC estadunidense, que relata e publica semanalmente à imprensa sua estratégia econômica, já que se tratando de economia, uma semana é muito tempo.
Entretanto, por aqui temos reuniões secretas dos membros do BC com os chamados "investidores essenciais", nas quais nada se publica ao público, ficando o mesmo à mercê das decisões de um pequeno grupo de empresários. Fica subentendido que o presidente do BC considera que o Brasil, em relação à política econômica, dispõe de um esboço da Caixa de Pandora, onde aberta e revelada espalharia horror e destruição em todo o mundo (não valeria a tão conhecida máxima "quem não deve não teme"?). Enquanto houver essa política subserviente as oligarquias bancárias e amedrontada quanto à transparência, não seria surpreendente a permanência dos míseros 4% de crescimento econômico este ano.
Tecendo sobre permanência, a prorrogação do CPMF por mais quatro anos é mais uma falta de respeito para com a sociedade no que tange a transparência política. Tudo bem pagarmos impostos, desde que sejam revertidos para o bem da sociedade. O problema em questão não é a combrança dos tributos, mas sua a verdadeira destinação. Esse imposto provisório - que a cada dia é está mais perto de ser permanente - além de frear o crescimento econômico (pois reforça a dependência da burocracia) ainda é praticamente distribuído em setores nada complacentes à destinação inicial da época da criação do mesmo.
Instituído em 1996, a CPMF propunha a arrecadação de recursos para suprir as necessidades do SUS. Atualmente, apesar das nítidas precariedades do sistema de saúde nas quais todos estão cientes, fica evidente que o sofrimento do povo é posto em segundo plano comparado à manutenção das taxas de juros e redução da dívida pública. Certamente a receita de 32 bilhões de reais arrecados ano passado com esse imposto contribuiria significantemente em melhorias para a saúde do povo.
É totalmente aceitável que haja vontade do governo em reduzir a dependência econômica galgando assim a um patamar mais elevado na economia mundial. Entretanto, é a maneira como essa dependência vem sendo custeada que está equivocada. Vigorar a independência econômica em detrimento da saúde pública é totalmente irrisório e inaceitável.
Em suma, que Guido Mantega e Henrique Meirelles instituam uma correta política de transparência econômica e destinação da receita impostos ou acabem de uma vez por todas com esta lastimável ludibriação para com a sociedade brasileira. Apesar de ser muito risonha e pouco questionadora, a mesma merece um pouco mais de respeito.
criado por oliverjunior85
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